isso de mudar de cidade, me parece, é que nem ter pais divorciados. na hora da separação, tristezas descontadas, o que sobra são promessas de vantagens: "você vai ganhar dois presentes de natal!", "vai ter duas casas, olha que bom!". e o que acontece, na real, é que casa, casa mesmo, a gente acaba tendo uma só - a outra vira qualquer coisa de esconderijo, refúgio. e não adianta ir pra lá, vir pra cá, que os problemas na casa da mãe não vão desaparecer depois de um fim-de-semana com o pai. e vice-versa.
Salvador, que um dia foi casa e agora deveria ser refúgio, não é mais uma coisa e ultimamente não tem funcionado bem como a outra. e apesar de São Paulo ainda não ser exatamente um lar, confesso o alívio que senti hoje, no avião, quando enxerguei o emaranhado de luzes a perder de vista no horizonte. eu nego, tenho negado sempre; mas de repente é alguma coisa que começa mesmo a acontecer no meu coração.
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